terça-feira, 23 de junho de 2009
LAVOURA ARCAICA
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paula
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6/23/2009 10:28:00 AM
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
sossega, coração!
sossega, coração! não se desesperes!
talvez um dia, para além dos dias,
encontres o que queres porque o queres.
[fernando pessoa]
para lembrar em momentos em que a paciência é muito pouca
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paula
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2/18/2009 11:25:00 PM
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
O CROCODILO
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paula
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1/29/2009 12:46:00 AM
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
DESENHOS
Qualquer barco é maior que a casa dos pescadores.
Os meninos balançam os pés na água.
Grande é o céu, grande é o mar.
Não se precisa de casa nenhuma neste mundo:
entre o céu e o mar se pode nascer, viver, morrer.
E o homem é um pequeno instante.
Cecília Meireles.
eu não posso dizer que leio muito Cecília Meireles eu não leio e eu não gosto de muitos poemas dela mas eu tenho livros dela e toda vez que eu pego esses livros eu encontro um poema ótimo] talvez seja o tipo de poeta que se aprende a gostar, com paciência, com o tempo, eu gosto disso.
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paula
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1/23/2009 12:41:00 PM
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terça-feira, 25 de novembro de 2008
ESBOÇO
Teus lábios inquietos
pelo meu corpo acendiam astros...
e no corpo da mata
os pirilampos
de quando em quando,
insinuavam
fosforecentes carícias...
e o corpo do silêncio estremecia,
chocalhava,
com os guizos do cri-cri osculante
dos grilos que imitavam
a música de tua boca...
e no corpo da noite
as estrelas cantavam
com a voz trêmula e rútila
de teus beijos...
[Gilka Machado]
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paula
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11/25/2008 05:38:00 PM
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sexta-feira, 21 de novembro de 2008
AS PÉROLAS
um pouco de beleza. para distrair.
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paula
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11/21/2008 11:26:00 PM
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domingo, 16 de novembro de 2008
horário de trabalho
Depois das treze poderei sofrer:
antes, não.
Tenho os papéis, tenho os telefonemas,
tenho as obrigações, à hora certa.
Depois irei almoçar vagamente
para sobreviver,
para agüentar o sofrimento.
Então, depois das treze, todos os deveres cumpridos,
disporei o material da dor
com a ordem necessária
para prestar atenção a cada elemento.
acomodarei no coração meus antigos punhais,
distribuirei minhas cotas de lágrimas.
Terminado esse compromisso,
voltarei ao trabalho habitual.
[Cecília Meireles]
___
eu aprendi tarde que sentir dor em qualquer hora sem qualquer compromisso de esgotar essa dor e de distribuir todas as cotas de lágrimas é querer continuar com os punhais e com as lágrimas
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11/16/2008 10:00:00 PM
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domingo, 9 de novembro de 2008
agora
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11/09/2008 01:57:00 AM
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sábado, 30 de agosto de 2008
O CAVALO PERDIDO
as memórias são brincadeiras de olhos que não esquecem] que distorcem] quase medo de esquecer e de não saber o que pensar
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paula
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8/30/2008 01:58:00 AM
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domingo, 24 de agosto de 2008
ANTIODE
Poesia, te escrevia
flor! conhecendo
que és fezes. Fezes
como qualquer,
gerando cogumelos
( raros, frágeis cogu-
melos ) no úmido
calor de nossa boca.
Delicado, escrevia:
Flor! ( Cogumelos
serão flor? Espécie
estranha, espécie
extinta de flor, flor
não de todo flor,
mas flor, bolha
aberta no maduro ).
Delicado, evitava
o estrume do poema
seu caule, seu ovário
suas destilações;
esperava as puras
transparentes florações
nascidas do ar, no ar,
como as brisas.
[joão cabral de melo neto]
eu não quero mais saber de fungos na minha ou em qualquer boca
e de palavras-fezes e de palavras-estrume e de palavras-veneno ]
tem palavras que eu já não consigo sentir o cheiro ou o gosto:
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8/24/2008 12:08:00 AM
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segunda-feira, 18 de agosto de 2008
O FUTURO É AGORA
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8/18/2008 11:00:00 PM
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domingo, 6 de julho de 2008
APONTADOR
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7/06/2008 01:14:00 AM
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quarta-feira, 2 de julho de 2008
CIRCUITO FECHADO
quando a solidão fica acompanhada de papéis, de canetas, de livros, de telefones, de maços de cigarros e caixas de fósforos, de rotinas.
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paula
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7/02/2008 08:12:00 PM
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segunda-feira, 23 de junho de 2008
OS DESLIMITES DA PALAVRA
É tudo tão repleto de nadeiras.
Só escuto as paisagens há mil anos.
Chegam aromas de amanhã em mim.
Só penso coisas com efeitos de antes.
Nas minhas memórias enterradas
Vão achar muitas conchas ressoando...
Seria o areal de um mar extinto
Este lugar onde se encostam cágados?
Deste lado de mim parou o limo
E de outro lado uma andorinha benta.
Eu sou beato nesse passarinho.
[manoel de barros]
nos dias que a vida tem pouca literatura é quando eu percebo que o dia-a-dia não se confunde com literatura e que eu tenho o costume de inventar de enxergar literatura no dia-a-dia. em dias assim eu não sei mais o que tem importância e qualquer mágoa qualquer raiva qualquer estresse são tão pequenos que eu só consigo pensar em exagero e em bobagem. em dias assim eu paro de pensar as coisas com efeitos de antes pra conseguir perceber os aromas de amanhã.
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6/23/2008 05:05:00 PM
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quinta-feira, 19 de junho de 2008
LAVOURA ARCAICA
para não comprar ilusões; antes de sentir, eu preciso de mais espera
eu não quero encontrar o que quem não é por expectativa por pressa
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6/19/2008 12:39:00 AM
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domingo, 1 de junho de 2008
NOTAS DO SUBTERRÂNEO
eu preciso de outros olhares para reinventar as minhas memórias
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6/01/2008 01:31:00 AM
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terça-feira, 27 de maio de 2008
ESPERANÇA
[cecília meireles]
eu não quero saber de perdas eu não sei de perdas eu quero saber de outros verbos com outras perspectivas com outras presenças
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5/27/2008 10:56:00 PM
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terça-feira, 8 de abril de 2008
PATACOADA]
A pata empata a pata
porque cada pata
tem um par de patas
e um par de patas
um par de pares de patas.
Agora, se se engata
pata a pata
cada pata
de um par de pares de patas,
a coisa nunca mais desata
e fica mais chata
do que pata de pata.
josé paulo paes
literatura não é só choramingos. 1 poema infantil, dos mais legais.2 patas se empatam por cada pata ter 2 patas, 1 par de patas. 1 pata tem 1 par de patas. 2 pares de patas, 1 par de pares de patas. juntas, cada pata, 2 patas, 4 patas. patacoada joga com a repetição de palavras e com a aritmética de 1 jeito que é possível confundir as patas das patas com as patas e entender que a idéia de contar as patas das patas é chata, quando as patas das patas são chatas.
1 poema inteligente, divertido, quase 1 música. ao mesmo tempo.
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paula
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4/08/2008 07:07:00 PM
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segunda-feira, 24 de março de 2008
PEDRA DO SONO], O AVENTUREIRO
fomos precipitados na sombra.
A sombra era doce e tinha suas vantagens:
esportes, cinema e os sinais do tráfego sempre abertos.
As palavras seguintes não foram palavras de dicio-
as emoções irremediavelmente desertas.
A essa altura ela não mais podia ser encontrada
dentro de nenhum dos espelhos da casa.
Ninguém ousava morrer. Todos corremos na praia
as palavras que eu não reconheço eu não sinto o que elas começam:
a sombra ou
o gosto e as vantagens da sombra.
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3/24/2008 01:47:00 AM
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domingo, 23 de março de 2008
PSICOLOGIA DA COMPOSIÇÃO
VIII
Cultivar o desertocomo um pomar às avessas.
(A árvore destila
a terra, gota a gota,
a terra completa
cai, fruto!
Enquanto na ordem
de um outro pomar
destila o tempo
palavras maduras).
Cultivar o deserto
como um pomar às avessas:
o tempo não mais
destila: evapora;
onde foi maçã
resta uma fome;
onde foi palavra
(potros ou touros
contidos) resta a severa
forma do vazio.
joão cabral de melo neto
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3/23/2008 03:53:00 PM
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